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TRIUNFO DA CRISE ECONÓMICA
CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANASVOLTAR ATRÁS
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SINOPSE

Um espectro assola a Europa e o mundo: o espectro da crise. Há uma espécie de horror à palavra «crise». […]

A realidade é que só há, sempre e só, crise.

A vida é liberdade. A liberdade é luta pela liberdade porque (todos?) os seres humanos querem aquilo que querem e para poderem tentar obter aquilo que querem precisam de liberdade e por isso lutam pela liberdade para poderem lutar por aquilo que querem. A menos que não queiram nada ou nunca tenham pensado no assunto, o que torna a vida (ou seja a luta, a crise) mais fácil para os outros. Mas é difícil encontrar pessoas que pelo menos não queiram respirar, comer, beber, coisas de cariz sexual […] e ainda mais algumas coisas.

As consequências do facto de a vida social dos seres humanos ser o conjunto das acções das pessoas empenhadas em fazer aquilo que querem são igualmente evidentes.

Não é possível todas as pessoas fazerem tudo o que querem porque muitos não sabem o que querem (a cabeça é fraca, ou seja, o sistema nervoso humano é muito complexo) e porque essa imensidade de coisas queridas pelas pessoas contém uma imensidade de desejos incompatíveis.

Por isso a vida é liberdade. A liberdade é luta. A luta é crise.

O «capital» é a liberdade. A «luta de classes» é liberdade. O problema é a definição de «classe», mas esse é um outro problema.

Transferindo estas reflexões singelas para o terreno da economia e do pensamento económico a constatação primordial é igualmente simples.

As pessoas tendem a querer mais, embora seja sempre bem vindo, até pela sua raridade, o contributo (cristão?) daqueles que por ventura já estejam satisfeitos, ou queiram menos ou nada. […]

Todos querem mais. «Everybody wants money. That’s why they call it money».

«Não há dinheiro. Qual das palavras desta frase é que não percebem?». Não há nem nunca vai haver dinheiro que chegue.

Para designar todas estas coisas óbvias utilizam-se, segundo as diferentes tradições do pensamento económico dos séculos passados, palavras e expressões como «liberdade de escolha», «luta de classes» ou «capital». São sinónimos e designam apenas a evidência do facto de a vida económica ter a forma de crise.

Só há crise.

[Alexandre Melo]

Data:
Outubro de 2016
Acabamento:
Brochado, com badanas
Formato:
14,5 × 20,5 cm
Páginas:
168
EAN:
9789898834409

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