Jonas Runa: «Se algo define o nosso tempo, é precisamente a impossibilidade de o definir. A contemporaneidade científica e cultural edifica-se como o fim das certezas, em que o conceito de “ruído” é apanágio da desconstrução e da polissemia, permeando as ciências positivas, as humanidades e até as artes.»
Navegando o oceano transdisciplinar das materialidades da comunicação estética, o presente volume investiga diversos campos de expressão cultural e artística (música, dança, poesia e literatura) enquanto fenómenos comunicativos que se transmitem a si mesmos, canalizando informação estética e incluindo sempre o receptor no próprio processo de comunicação. Por entre as coreografias do acaso, da contradição, do paradoxo e da auto-referência, os textos aqui reunidos afiguram-se explorações situadas e relacionais do potencial intrínseco da materialidade, abraçando o a priori técnico, a finitude, os media effects e a contingência. Para além dos dualismos — entre humanidades e ciências «exactas»; entre teoria e prática — esta materialidade como reverso da semântica insiste na importância do contacto directo com os objectos culturais, no papel decisivo das inovações tecnológicas para a reorientação dos movimentos intelectuais, ou ainda na centralidade do corpo em todas as denotações cognitivas e emotivas. O livro está organizado em duas grandes partes: a primeira recupera a ancestral forma do diálogo, tão estimada outrora por longínquos filósofos, mas que parece ter sido parcialmente esquecida pelos académicos contemporâneos.
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A segunda parte do livro segue uma estrutura tradicional por ensaios — constelação iridescente de novas perspectivas sobre a comunicação estética, apoiadas em diferentes perspectivas heurísticas e hermenêuticas. Esta organização heterodoxa tem um propósito último. Afinal, será sempre pela experimentação e pelo risco que se construirá o futuro, tanto das artes, como das ciências.
[Jonas Runa]