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UMA ÚLTIMA PERGUNTA — ENTREVISTAS COM MÁRIO CESARINY (1952-2006)
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Documenta
SINOPSE

Uma última pergunta, que a série já vai longa: Botelho, se algum leitor destas linhas quisesse começar a pintar e lhe pedisse conselho, que faria?

[Mário Cesariny entrevista Carlos Botelho, O Rossio, n.º 1, 1952].

 

Esta antologia de entrevistas surgiu como forma de dar a conhecer, ou melhor, trazer para o corpo visível do livro entrevistas que pela proximidade fácil com o entrevistado (o Mário, por ele mesmo) se transformaram em «conversas» abertas, onde os temas, os nomes, as palavras surgem de um sopro de liberdade.

[Laura Mateus Fonseca]

 

Conheci Mário Cesariny em 1981. Tinha-lhe enviado o primeiro livro de poemas, edição de autor, ele escreveu-me de volta, sugerindo que o visitasse, o que fiz, movido pelo entusiasmo de ir ao encontro do Poeta que fora, no fim da adolescência, descoberta maior, nunca traída até hoje. O homem que encontrei, por uma tarde chuvosa, no modesto estúdio e refúgio, à Graça, chegava então aos 60 anos, mais trinta que os meus, o que, todavia, deixava de se fazer sentir assim que começava a falar, em digressões que passavam, sem descontinuidade, das memórias de vida a reflexões sobre Llull, Breton, Artaud. Tudo tinha a mesma origem. […] Homem só, sereno, capaz de uma gargalhada formidável, era soberano nessa solidão, indiferente a agradar, incapaz do que fosse para ir ao encontro de qualquer aplauso, de que desconfiava.

[Bernardo Pinto de Almeida]

 

Traquinas como é, brincalhão e travesso e feliz como uma criança num dia sem escola, apenas me disse ao telefone o seu penúltimo desejo e vontade:

Sabe, ó Prefeito, o que eu tenho pensado é vender parte da minha obra, comprar um carro enorme, contratar um chauffeur e viajar até ao dia da viagem definitiva.

Viajar, talvez, em busca daquele gato que um dia Risques Pereira viu como partia para a aventura com o ar elegante, distante e ausente que caracteriza e define aquele animal sagrado, dandy dos telhados, das açoteias e de lugares ainda mais altos, que, como diria Cesariny, os lepidópteros burgueses nunca conseguirão domar.

[Perfecto E. Cuadrado]

Organização: Laura Mateus Fonseca
Data:
Novembro de 2020
Acabamento:
Brochado, com badanas
Formato:
14,5 x 22,5 cm
Páginas:
432
EAN:
9789899006584
OBSERVAÇÕES

Com a Fundação Cupertino de Miranda.

Organização, introdução e notas de Laura Mateus Fonseca.

Prefácio de Bernardo Pinto de Almeida.

Posfácio de Perfecto E. Cuadrado.


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