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Arcelino

Arcelino Augusto de Azevedo nasceu a 23 de setembro de 1913, na cidade de Braga. Iniciou a atividade fotográfica com o fotógrafo Joaquim dos Santos Lima, no seu atelier do Largo Barão de S. Martinho. Além da técnica, aprendeu com ele o gosto pela arte fotográfica, que exerciam com perfecionismo, e a reivindicação do estatuto de fotógrafo-artista. A sua prática habitual de assinar as imagens reforça esta noção. Depois da casa de Santos Lima, que cerca do início dos anos 40 se mudou para a capital onde continuou a sua atividade fotográfica, passou à Foto Pelicano, no mesmo largo, que até à data era apenas um Centro Fotográfico, fundado por Francisco Maria Pelicano, onde apenas se vendia material desta especialidade, passando então a associar a parte de venda de máquinas, aparelhos e material fotográfico e a de atelier. Apesar de ser funcionário deste, o proprietário do estabelecimento permitiu-lhe manter alguma autonomia na sua atividade, o que também se revela no facto de frequentemente assinar as imagens que executava. Anos após o falecimento de Francisco Pelicano, a firma constituída pelos herdeiros da Foto Pelicano sofreu reestruturações a partir de 1966 e, entre meados dos anos 60 e o início dos anos 70, Arcelino veio a abrir um atelier fotográfico próprio no Largo de S. Francisco, que não mantinha porta aberta, funcionando apenas por atendimento. Ali retratava e tinha o seu laboratório, onde, por vezes, era auxiliado por familiares. As fotografias do seu fundo que se encontra no Museu da Casa Nogueira da Silva – Universidade do Minho foram obtidas com uma câmara de formato 120 (negativos de acetato de celulose de 6 × 6 cm) e emulsões de gelatina – sais de prata.

 

Além do retrato, que sempre constituiu a base económica do trabalho dos fotógrafos, Arcelino tirou vistas da cidade de Braga e de outras localidades do Minho, dos seus monu- mentos e objetos de arte, particularmente sacra e heráldica. Fez reportagens de festas locais como a Semana Santa e o São João, e de acontecimentos como as comemorações do 28 de maio em 1966. A fotografia industrial e aérea foram outras áreas temáticas em que desenvolveu atividade. As suas fotografias de Braga foram publicadas no periódico Correio do Minho, tal como tinham sido as do seu antecessor Santos Lima, e as imagens de monumentos e objetos de arte foram publicadas em estudos de história da arte de Braga e sua região, bem como as de casas senhoriais e heráldica. Além da ilustração de livros, as suas fotografias foram abundantemente publicadas em bilhetes-postais ilustrados a preto e coloridos, que foram vendidos em estabelecimentos comerciais. A sua reputação como artista fotográfico foi consolidada em Braga com a participação em salões fotográficos e exposições nos anos 40 e 50, com imagens selecionadas, que foram distinguidas com vários prémios.

 

Arcelino faleceu no dia 11 de novembro de 1972, na sua residência na cidade de Braga. Frequentador assíduo do café A Brasileira, situada no largo onde exerceu por muitos anos a atividade fotográfica, foi homenageado pela Associação de Fotografia e Cinema Amador de Braga, que ali descerrou a 8 de maio de 1976 uma placa em que recordava «com saudade o fotógrafo artista». Autor de um dos mais significativos, se não o mais significativo registo fotográfico bracarense do século XX, o seu arquivo foi depositado pela ASPA no Museu da Casa Nogueira da Silva – UM, em 1982. Desde então foram realizadas duas exposições com imagens suas (1985, 2009), que também integraram exposições temáticas coletivas. 

[Nuno Borges Araújo]

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