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Manuel Carneiro

Manuel Marques Carneiro nasceu a 16 de novembro de 1871, na cidade de Braga. Desconhecemos as circunstâncias em que iniciou a prática da fotografia, o que terá acontecido no final do século XIX. Fotografou com chapas de gelatina – sais de prata no formato 13 × 18 cm, que normalmente imprimia sobre papel por contacto. Tudo indica que estaria informado da atualidade fotográfica através de publicações da especialidade. Como a maioria dos fotógrafos amadores deste período, fotografou os membros da sua família, amigos, e grupos em encontros e atividades lúdicas. No entanto, a temática que perpetuou a sua fotografia foi a imagem da cidade, dos seus espaços e monumentos, onde fervilham os bracarenses nas suas atividades quotidianas, nas festas locais e outros acontecimentos. Nestes registos viu certamente a oportunidade económica de preencher uma lacuna nas iniciativas editoriais bracarenses: a edição de postais ilustrados. A importação direta de postais ilustrados franceses para venda no estabelecimento comercial do seu pai Bernardo Carneiro (1838-1902), na Rua do Souto, a partir de 1900, estará relacionada com esta iniciativa. Na correspondência sobrevivente de Bernardo e Manuel Carneiro está documentado o contacto com firmas impressoras alemãs e francesas pedindo orçamentos para a impressão de postais e de um álbum (1900-1901), e na correspondência com uma delas, a firma A. Bergeret & C.ie, de Nancy, que fora distinguida na exposição universal de Paris de 1900 com uma medalha de ouro pelas suas fototipias, a confirmação da impressão de bilhetes-postais com esta técnica fotomecânica planográfica a partir dos seus negativos fotográficos (1901). Inicialmente impressos com o nome Bernardo Carneiro, certamente o financiador deste projeto, conhecemos duas edições suas com vistas de Braga e de Guimarães, onde se destaca o interesse histórico e monumental destas cidades, circuladas em 1901-1903. Após a sua morte, em 1902, foram editados novamente postais com imagens das referidas cidades, onde passou a constar o nome Manoel Carneiro, seu filho mais velho, circulados em 1903-1904, e uma edição com a primeira folha de jornais locais de 1903 com dois rasgões, um dos quais revelando vistas urbanas de Braga, uma ideia gráfica de que também conhecemos exemplares em Espanha e na França. Posteriormente, Manuel Carneiro fez edições associado ao seu irmão João Marques Carneiro (1875-1931) com o nome da firma Manoel Carneiro & Irmão, quer a preto quer coloridos, tendo alargado a sua edição de postais à Póvoa de Varzim e a Vizela, pela sua importante afluência sazonal, respetivamente como praia e estância termal, que circularam em 1905-1906 e datas posteriores. Esta firma editou ainda dois álbuns de imagens, também impressos pela técnica da fototipia: o Álbum de Braga, e o Álbum da Sé de Braga. Quando editaram os postais e os álbuns em que consta o nome desta firma ela ainda não existia formalmente, uma vez que apenas foi constituída em 4 de fevereiro de 1906 com um marceneiro local para o fabrico de móveis, que Manuel Carneiro também fotografou para fins comerciais. Na Casa Carneiro também se venderam máquinas, artigos e produtos para a prática da fotografia, certamente pensando na expansão da prática amadora.

Manuel Carneiro faleceu em 1956 na cidade de Braga, tendo os seus descendentes mantido a continuidade da atividade do seu estabelecimento comercial na Rua do Souto. O seu arquivo fotográfico, com cerca de um milhar e meio de negativos fotográficos, encontrava-se arrumado num canto do sótão deste prédio e em 1979 foi entregue à ASPA e transferido para o Museu Nogueira da Silva – Universidade do Minho, onde se procedeu ao seu tratamento e conservação.

[Nuno Borges de Araújo]

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