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Teresa Sousa

«Fui ontem à tarde à gravura, pela 1.ª vez. É o mesmo que querer escrever e não saber pegar na caneta… uma dificuldade imensa, pois tenho de aprender tudo de início.»

Foi assim que Teresa Sousa, em carta que enviou aos pais em 8 de Novembro de 1955, relatou a sua primeira experiência em gravura, no Atelier 17, em Paris. Não obstante as dificuldades com que deparou no início da sua aprendizagem, extensa e detalhadamente documentada nas cartas aos pais, ao Dr. João Couto («mentor» de Teresa Sousa, na altura director do Museu Nacional de Arte Antiga) e nos relatórios trimestrais enviados ao Instituto de Alta Cultura (actual Instituto Camões), o que experimentou e aprendeu no Atelier 17 foi decisivo para o reconhecimento do seu trabalho como gravadora.

Teresa Sousa nasceu em Lisboa, em Dezembro de 1928. Durante a adolescência, teve aulas de pintura com o pintor Romano Esteves.

Após os estudos liceais, iniciou, em 1947, na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (ESBAL), o Curso Superior de Pintura, que terminou em 1954, com «informação final de 20 valores». Durante a frequência do curso, foram-lhe atribuídos pela ESBAL os prémios de melhor classificação em Pintura (ano lectivo de 1950-51), Constantino Fernandes (1951-52) e Veloso Salgado (1952-1953), e pela Academia Nacional de Belas-Artes, os prémios Lupi (1951-1952) e Ferreira Chaves (1952-1953).

Ainda estudante da ESBAL, Teresa Sousa participa, em 1951, na exposição Cópias de Mestres Antigos, no Museu Nacional de Arte Antiga, e em 1953, no Salão da Jovem Pintura (Galeria de Março, Lisboa). Dois anos mais tarde, em 1955, participa na exposição inaugural da Galeria Pórtico, em Lisboa, com os seus colegas com quem fundou a Galeria: Lourdes Castro, José Escada e Cruz de Carvalho; em simultâneo, dinamiza e participa, com estes mesmos colegas, no Museu Nacional de Arte Antiga, na exposição Estudos sobre um Tema de Pintura. Participa ainda, em 1955, na primeira exposição colectiva da Galeria Pórtico e na II Exposição de Artes Plásticas de Almada.

Entre Setembro de 1955 e Junho de 1956 estudou em Paris, no âmbito de uma bolsa atribuída pelo Instituto de Alta Cultura (a que sucedeu o actual Camões — Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.). Tendo-se frustrado o objectivo principal da bolsa — estudos em Arte Sacra —, Teresa Sousa procurou orientação junto de Vieira da Silva, que vivia e trabalhava em Paris. Numa visita ao atelier da artista e do seu marido Arpad Szenes, Teresa Sousa manifestou interesse em aprender gravura. Vieira e Arpad, que tinham frequentado o Atelier 17, entregaram-lhe uma carta de apresentação dirigida a Stanley W. Hayter, amigo do casal e alma do Atelier 17, o que levou Teresa Sousa a iniciar os seus estudos de gravura neste carismático atelier, sob a orientação de Hayter, uma referência maior da gravura do século XX.

Durante a aprendizagem no Atelier 17 (Novembro de 1955 a Junho de 1956), Teresa Sousa, além das gravuras produzidas durante o processo de aprendizagem, produziu doze gravuras, algumas das quais com um elevado número de provas de ensaio, também de cor. No final dos seus estudos no Atelier 17, Stanley Hayter emitiu a Teresa Sousa um «certificado de habilitações» com conteúdo altamente elogioso.

Após o regresso de Paris, e ainda em 1956, Teresa Sousa organizou, na Galeria Pórtico, as exposições Cartazes de Paris e Vieira da Silva — Exposição de obras existentes em Portugal. Em 1957 realizou a sua única exposição individual, na Galeria Pórtico, intitulada Calcografia, Desenho, Monotipia, que mereceu acolhimento bastante favorável por parte da crítica. Neste mesmo ano esteve representada na I Bienal Internacional de Gravura, em Tóquio, e participou na Exposição de Gravura Portuguesa Contemporânea organizada pela Cooperativa Gravura (da qual foi artista gravadora), e na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, onde foi distinguida com um prémio de gravura.

Em 1958, participou na 5.ª exposição Bianco e Nero, em Lugano (Suíça), no I Salão de Arte Moderna da Casa da Imprensa (Lisboa), na III Exposição de Artes Plásticas de Almada, e no I Salão de Arte Moderna da Sociedade Nacional de Belas-Artes, e esteve representada na exposição colectiva de gravura que a Cooperativa Gravura organizou em Gotemburgo (Suécia). Neste ano ainda viu uma gravura sua capear o guia turístico Portugal Welcomes You, integrou a Missão Cultural Artística Portuguesa que visitou a Expo 58 (Bruxelas), e organizou a exposição O Branco, o Preto e as Cores, com trabalhos das suas alunas.

O seu primeiro filho nasceu em Março de 1959, ano em que recebeu o prémio Domingos Sequeira (para gravura) no I Salão dos Novíssimos. Esteve representada na Exposición de grabados portugueses contemporáneos (Madrid, Espanha), e na exposição L’incisione contemporanea in Portogallo (Roma, Itália), organizadas pela Cooperativa Gravura, e na exposição colectiva organizada pelo SNI em S. Francisco (Estados Unidos). Participou ainda na I Exposição de Desenho Moderno (Casa da Imprensa), no II Salão de Arte Moderna da Casa da Imprensa, e na 22.ª Exposição de Desenho, Aguarela, Pastel, Gravura e Miniatura, da Sociedade Nacional de Belas-Artes.

Em 1960, esteve representada na Exposição Internacional Feminina do Museu de Arte Moderna de Paris, e participou na exposição das Comemorações Henriquinas, na Fundação José Nunes Martins (Oliveira do Conde), na Exposição de Gravura Portuguesa Contemporânea (Galeria da Pastelaria Dragão Vermelho, Almada), no II Salão dos Novíssimos e na I Exposição Nacional de Pintura da Quinta da Vigia (Funchal).

Em 1961, participou nas exposições Paisagistas e Animalistas do Séc. XX e no 57.º Salão da Primavera, organizadas pela Sociedade Nacional de Belas-Artes, no III Salão dos Novíssimos e na Exposição Antoniana do Estoril, onde lhe foi atribuído o 2.º prémio de pintura.

No fim de Dezembro nasceu o seu segundo filho.

Faleceu inesperadamente em Lisboa, no dia 6 de Janeiro de 1962.

Apesar de ter sido uma pioneira da gravura moderna em Portugal, Teresa Sousa é hoje um nome quase apenas do conhecimento de especialistas em arte moderna portuguesa. Os poucos elementos informativos sobre a artista que se encontram na literatura da especialidade estão maioritariamente relacionados com o prémio de gravura que lhe foi atribuído na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, com a Galeria Pórtico (1955-1957), e como artista gravadora dos primeiros anos da Gravura — Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, de cujo catálogo constam três gravuras de sua autoria, duas de 1958, e uma de 1959. A gravura Cidade (1958), n.º 33 do catálogo da Cooperativa Gravura, é a primeira calcografia a cores deste catálogo, o que constitui evidência do domínio da técnica da gravura em metal que Teresa Sousa adquiriu no Atelier 17. As três gravuras que a artista produziu para a Cooperativa Gravura constituem uma ínfima parte da sua produção artística, a qual, além da gravura, se estendeu também à pintura, ao desenho e às artes decorativas. No âmbito destas últimas, a registar o discreto painel de mosaicos, de sua autoria, existente na parede exterior norte da Cantina Velha da Cidade Universitária, em Lisboa.

Ao tempo em que desenvolveu a sua actividade como artista plástica (1955-1961), Teresa Sousa foi bastante prolífica, reconhecida e premiada, mas a morte prematura, com apenas 33 anos acabados de fazer, interrompeu uma carreira que se augurava promissora. Deixou bastantes trabalhos por concluir, nomeadamente gravuras, cartões para tapeçarias e projectos para mosaicos. Com excepção de algumas gravuras, a sua obra nunca foi objecto de estudo.

O crítico de arte Joaquim de Sellés Paes, no artigo «A gravura contemporânea portuguesa», publicado no n.º 3 (Maio de 1959) da revista Colóquio, editada pela Fundação Calouste Gulbenkian, refere que Teresa Sousa deveria «ocupar, numa panorâmica da nossa gravura, posição cimeira quanto aos conhecimentos e uso da sua técnica». Infelizmente, Teresa Sousa não teve possibilidade de ocupar a posição que à época o crítico lhe reconheceu.

[João Carvalho e José Victor Carvalho]

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