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Max Beerbohm

Lord David Cecil confessa com algum desânimo que a vida de Max Beerbohm, tão isenta de sobressaltos, pouco oferece à investigadora curiosidade do biógrafo.

Mas desde já registemos que era um Sir (levado a essa distinção por Jorge VI, em 1939) identificado por inteiro como Sir Henry Maximilian Beerbohm, simplificado nas caricaturas até ao Max e nas obras literárias até ao Max Beerbohm.

No Palace Gardens Terrace de Londres há hoje uma placa a informar que ele lá nasceu em 24 de Agosto de 1872; pode acrescentar-se que numa família materialmente folgada, com ascendência báltica e germânica, e que um seu meio-irmão, Herbert Beerbohm Tree, era um actor e empresário teatral com muita evidência no meio londrino. Max chegava a uma sociedade de lords e ladies com o seu sangue judaico meticulosamente renegado e mantido o mais longe possível das sinagogas e das cabeças com a calote do «quipá». («Eu, um judeu!», exclamava num inglês enfatuado com o sotaque de Oxford. «Mas que grande equívoco!»)

[…]

Virginia Woolf definiu-o literariamente assim: «O que Mr. Beerbohm nos oferecia no ensaio era, com evidência, ele próprio. Mostrava-se afectado por diversões privadas e arrependimentos, sem ter nenhum evangelho para pregar e nenhum saber que pudesse oferecer-nos. Era ele próprio de forma simples e directa, e como sempre tinha sido. Voltamos a ter de novo um ensaísta capaz de utilizar não só o mais específico do ensaísta, mas o seu mais perigoso e delicado instrumento. Ele trouxe à literatura a personalidade, não de forma inconsciente e impura, mas tão consciente e pura, que ficamos sem saber se existe uma relação entre Max o ensaísta e Mr. Beerbohm o homem. […] Ele é, sem dúvida, o príncipe da sua profissão.»

[…]

Depois de terminada a guerra de 14-18, Beerbohm voltou para a Itália e por lá se manteve até morrer num hospital particular de Rapallo, em 20 de Maio de 1956. Mas, um mês depois da sua morte, a Inglaterra reivindicou-o; e hoje Londres colecciona-o entre os vinte e oito britânicos com direito a sepultura na cripta da St. Paul’s Cathedral.

 

[Aníbal Fernandes, «Apresentação», Enoch Soames]

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