|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Casanova
Giacomo Girolano Casanova nasceu em Veneza, em 2 de Abril de 1725. Era, para o mundo e para as identificações oficiais, filho do actor Gaetano Giuseppe Casanova e da actriz Zanetta Farussi (a quem chamavam La Buranella, ou seja, nascida em Burano), que o trouxe ao mundo com dezassete anos de idade; mas a franqueza do futuro escritor virá a confessar-nos que o seu verdadeiro pai era o senador Michele Grimani, proprietário do Teatro de San Samuele onde Maria Farussi dava corpo a personagens invariavelmente esmorecidas e premiadas com aplausos breves, batidos com indolente entusiasmo. […] Em Pádua, Giacomo chegou aos cursos de Direito e Teologia. Religioso com a sua leviana sensualidade ainda escondida, com ares de muito católico e de querer exercer-se numa profissão dominada por comunhões e incensos, foi tonsurado em 1740 e um ano depois aceite numa ordem menor. Mas… oculto atrás deste eclesiástico já o verdadeiro Casanova, o das viagens e das mulheres, ansiava pela rédea solta; ia ser-lhe fácil abdicar das espiritualidades eclesiásticas para travar uma agitada batalha num mundo de salões, damas mais e menos acessíveis, e bem vividos mundanismos. […] Este Casanova das altas sociedades, onde vingava como brilhante conversador e onde fazia as suas lendárias conquistas amorosas, precisava de exibir-se com um título de singular sonoridade; intitulou-se Cavaleiro de Seingalt, um estranho nome explicado de forma igualmente estranha: O alfabeto pertence-nos a todos, é um facto incontestável. Escolhi oito letras e combinei-as de modo a formar Seingalt. A palavra agradou-me e adoptei-a como minha nomeação. […] Em 1825, uma edição bem comportada entregou-o ao público amaciado; só em 1960 este Casanova foi conhecido integralmente, revisto a partir do manuscrito e corrigido em todos os pontos em que o seu francês resvalava. Hoje compreende-se que Casanova é um escritor raramente erótico e nunca pornográfico — «admirável», disse Robert Desnos, «pela sua faculdade de desejo, amor e aventura.» [Aníbal Fernandes] ARTIGOS RELACIONADOS
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|