João Júlio Rumsey Teixeira: «Arma subtilmente eficaz mesmo antes de liquidada, a joalharia servia um discurso de sedução pelos sentidos e intimidação pela exibição de riquezas capazes de comprar armas, exércitos e lealdades.»
O título deste livro — Joalharia na Casa Real Portuguesa – 1777-1889. Uma Periferia Subversiva — coloca, desde logo (pelo menos), duas questões: a baliza cronológica e a associação dos termos periferia subversiva. Em relação à primeira, a justificação reside numa análise que tem como ponto de partida o período de auge da extracção de diamantes no Brasil, durante o reinado de D. Maria I, e como ponto de chegada o esgotamento do fundo diamantífero da Coroa portuguesa, no reinado do seu trineto, o rei D. Luís. Já em relação à segunda, a explicação é sobretudo de ordem metodológica, na medida em que o conceito de periferia pode situar-se quer em relação a Portugal, país aparentemente periférico quando o foco geográfico é a Europa central (com o epicentro cultural na França), quer em relação à joalharia, que, na História da Arte portuguesa, continua a ocupar um lugar de alguma subalternização relativamente a outras expressões artísticas. A subversão já é o resultado do trabalho de João Júlio Teixeira, que, através de um rigoroso levantamento de peças, documentos escritos, visuais e bibliográficos, nos apresenta uma obra que subverte um campo de estudo que estava por ser interpretado em profundidade.
[Alexandra Curvelo]
Com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.