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Madame Duras
Claire Louisa Rose Bonne de Coëtnempren de Kersaint era de Brest [Claire de Duras], nascida em 1777, filha do conde de Kersaint, um conde pobre que se limitava a ter funções de primeiro-tenente da armada ao serviço da Martinica. […] Em 1821, a duquesa consciente do seu talento literário começa a ser na literatura Madame de Duras. Ainda não é ficcionista. O seu livro chama-se Pensées de Louis XIV e limita-se a extrair das obras e das cartas do rei-sol as frases que a sua leitura atenta achou dignas de uma independente posteridade. Mas a escritora não pára. No espaço de um ano (1821-1822) escreve singulares novelas: Ourika, Édouard, Olivier ou le Secret e Le Moine; e ainda escreveu Mémoires de Sophie, Le Paria, Amélie e Pauline. Madame de Duras escreve textos que não chegam a edições comerciais, que são distribuídos e lidos a amigos, e não faz esforços para ser conhecida como escritora. […] Urika, Édouard e Olivier (salvos deste fogo que só era epistolar) acabam por ter edições públicas de poucos exemplares. E Urika, apesar desta divulgação restrita, incita a prolongamentos e a adaptações a outras formas literárias e teatrais. […] Em 1826 Madame de Duras, tuberculosa, acrescenta aos seus maus pulmões uma hemiplegia que lhe paralisa metade do corpo. Em Janeiro de 1828 morre em Nice. Uma incontestável fidelidade conjugal ao duque, seu marido, não excluía a exigente amizade amorosa confessada numa carta a Chateaubriand: «Uma amizade como a minha não admite partilhas; tem os inconvenientes do amor e, confesso, não tem os seus proveitos. De resto, já somos suficientemente velhos para isto estar fora de questão.» Chateaubriand, pelo seu lado, depois da sua morte confessa e arrepende-se: «Desde que perdi esta pessoa tão generosa, com uma tão nobre alma, um espírito que juntava qualquer coisa da força e do pensamento de Madame de Staël à graça do talento de Madame de La Fayette, quando a choro não deixo de censurar-me pelas asperezas com que eu pude afligir por vezes corações que me eram devotados. Estejamos atentos ao nosso carácter. Pensemos que nos é possível, apesar de um profundo apego, não deixar de envenenar os dias que voltaríamos a comprar com o preço de todo o nosso sangue. Quando os nossos amigos descem ao túmulo, que meios temos para reparar os nossos erros? Os nossos inúteis remorsos, os nossos arrependimentos inúteis serão remédio para as penas que lhes infligimos? Eles gostariam mais de um sorriso, enquanto foram vivos, do que todas as lágrimas depois da sua morte.» Madame de Duras, autora de Urika, à cabeça do seu texto lembra-se de Byron: «Isto é estarmos sozinhos, isto, isto é solidão.» [Aníbal Fernandes] ARTIGOS RELACIONADOS
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