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Haniel Long

Haniel Long [1888-1956] («Enáiel, por favor», dizia ele, para corrigir os que não articulavam correctamente o seu nome). Haniel era filho de um casal de missionários que se afastara da América para propagar na Birmânia a sua fé metodista; tinha nascido em Ran- goon (nessa altura chamado Mianmar), mas em 1891, apenas com três anos e pais já cansados daquele exotismo áspero, da frágil propagação dos seus ensinamentos e das contingências que a saúde de americanos enfrentava com as desconhecidas doenças dessa tão grande distância, foi levado para aos Estados Unidos. O casal Long instalou-se em Pittsburgh e transferiu para a Pensilvânia o seu programa metodista.

Mais tarde, já nos anos da sua formação académica, Haniel passou pela Phillips Exeter Academy e por Harvard. Depois quis ser repórter; e atraído pelo trepidante mundo de Nova Iorque ce- deu a uma experiência que pouco o entusiasmou no New York Globe. Farto, porém, da grande cidade regressou a Pittsburgh e foi professor no Carnegie Institute of Technology: um professorado difícil, sustentado com um ardor místico que se encaixava mal nas directrizes terrenas da instituição. Esta luta inglória acabou numa nevrose e com o abandono do lugar.

Em 1920, o ano em que foi publicado Poems, o seu primeiro livro, conseguiu uma posição cimeira do English Department de Pittsburgh. E seis anos depois este escritor, que já não resistia à força da escrita, publicou uma colecção de contos fantásticos que intitulou Notes for a New Mythology.

[…]

Em 1933 novos poemas seus surgiram na Writers’ com o título Atlantides, e em 1935 foi a vez do Pittsburgh Memoranda. Um primeiro texto sobre Cabeza de Vaca teve em 1936 o título Interlinear to Cabeza de Vaca (depois revisto para surgir como The Marvelous Adventure of Cabeza de Vaca); seguiram-se Walt Whitman and the Springs of Courage (1938), Malinche (Doña Marina) (1939), Piñon Country (1941), Children, Students and a Few Adults e French Soldier Home from Being a War Prisoner (ambos de 1942), The Grist Mill (1945) e A Letter to St. Augustine (1950). Também foram vistos textos seus, laterais aos da sua editora, publicados no The New Mexico Sentinel.

[…]

Nos anos sessenta a geração hippie leu-o com interesse; mas, já antes desta fugaz emoção, Henry Miller tinha-se lembrado dele para recordar Cabeza de Vaca numa página do seu Books in my life: […]

Mas Haniel Long não acusa apenas nos seus escritos uma colonização feita de brutalidades e desumanas relações. Long estava convencido de que esta civilização, a nossa, anula e perverte as capacidades vitais do homem (que Cabeza de Vaca transfigura num milagroso poder de cura física) e só o regresso às origens pode recuperar-nos em tudo o que possuímos de mais nobre. Incitamento apetecível nalguns momentos deste mundo saturado e saturante, e a um passo — muito visível, já — do esgotamento.

[Aníbal Fernandes]

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