Num contexto de emergência climática, o próprio mundo terrestre é hoje um lugar em risco, para as populações humanas e para a vida em geral.
E repentinamente, percebe-se que os lugares, afinal, importam. E muito. […] Há muito tempo que não sucedia, de forma socialmente tão vivida, tão sentida, uma renovada preocupação e compreensão da importância dos lugares. Ao que se juntou uma pandemia — que limitou a liberdade de ir ao encontro dos lugares, de os visitar, de os habitar, de os perceber. E as guerras, causando massivas deslocações de populações, que perdem os seus lugares, também em sentido literal, com cidades inteiras devastadas.
Estas tendências já vinham de trás — embora menos apercebidas socialmente. Um mundo cada vez mais complexo, mas ao mesmo tempo menos diverso nos seus vários lugares. Com muitos novos lugares, hiperlugares, protolugares, e ainda não-lugares. Novas topologias, a maioria mais de passagem do que de permanência, em conformidade com a grande aceleração que, de forma distintiva, tem assinalado esta fase da modernidade tardia, ou de transição, em que vivemos.
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Este conjunto de ensaios atravessa dialecticamente as tensões entre a economia e a ecologia, o próximo e o longe, as diferentes escalas da passagem do tempo, os corpos e os ritmos, as vontades de novas utopias, heterotopias e outras topologias do imaginário a habitar.
[André Barata e João Seixas]
Fotografias de Duarte Belo.