0,00€
A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z
Alberto Savinio

Savinio tinha sido, ao sabor de vozes interiores determinadas por um caprichoso mecanismo, escritor, encenador teatral, pintor e músico. Na Sicília, antigo berço da sua família, tinha havido um barão Evaristo de Chirico, seu pai, que descia dos pergaminhos da nobreza para construir linhas férreas quilómetro a quilómetro sofridas e que o distraíam dos problemas familiares; tinha havido uma baronesa Gemma Cervetto, a sua mãe — guardiã de dois filhos com palavras e cornadas a fazerem jus às hastes do «veado» que pairava como um fantasma no seu sobrenome.

Os comboios do barão davam uma grande mobilidade a esta família. A baronesa Gemma, que passava de terra em terra arrastada pelas oportunidades ferroviárias do seu marido, tinha concebido dois filhos sabe-se lá onde, mas dera-os à luz na Grécia; Giorgio, o mais velho, em 1888 e nessa Vólos que se abre às larguezas do mar chamado «da Tessália»; Andrea, o mais novo, três anos depois em Atenas. Foi também em Atenas que Andrea de Chirico… (Este jovem praticante de várias artes, esclareçamo-lo desde já, resolveu abdicar do sobrenome que o ligava a uma grande família siciliana, usado pelo seu irmão pintor — que era nos quadros Giorgio de Chirico; e como tinha uma grande admiração por Albert Savine, notável tradutor de Oscar Wilde, Rudyard Kipling, Conan Doyle e Stevenson, não se deu a grandes trabalhos para inventar um nome artístico; dar-se-ia a conhecer, pura e simplesmente, com um italianizado Alberto Savinio.)

[…]

Os jornais Print e Omnibus, as revistas Colonne e Broletto começaram a mostrá-lo com aquela voz que iria, anos depois, apaixonar Breton e os fiéis do seu Surrealismo. Mas a Itália política de Mussolini, essa, começou a senti-lo como um suspeito de antifascismo. Os seus escritos, longe de agradarem ao regime, fizeram-no correr perigos e forçaram-no a procurar um esconderijo pouco pressentível pela polícia do ditador. Só depois da Segunda Guerra Mundial, com o perigo fascista afastado, Savinio voltou a ser lido sem receios e sem censura prévia, como crítico cultural do Corriere della Sera. Na literatura ficou como autor de Hermaphrodito (1918), a estreia do ficcionista que chegaria a ter vinte e três títulos publi- cados, entre os quais Achille innamorato (1938), Casa «La vita» (1943) e Tutta la vita (1945); com uma obra literária póstuma que lhe acrescentaria mais dezasseis títulos, entre os quais Maupassant e “l’altro” (1975), Vita dei fantasmi (1962) e Il sogno meccanico (1981).

[…]

Encontrá-lo-emos um tanto disfarçado "nesta bem-humorada e efervescente divagação sobre o mago Nostradamus, que num dia quente do ano de 1566 caiu no chão com um abafado ruído, semelhante ao da queda de um sapo. «Há, entre sapos e profetas, uma afinidade sonora», informa-nos a sabedoria protosurrealista do escritor Alberto Savinio.

Deste Alberto Savinio que em Roma, e sem o ruído de nenhuma queda, morreu no dia 5 de Maio de 1952.

[Aníbal Fernandes]

ARTIGOS RELACIONADOS
 
  • Nostradamus
    PREÇO:
    12.00€
RECEBA AS NOVIDADES!
SUBSCREVA A NEWSLETTER E ESTEJA SEMPRE A PAR DE NOVIDADES E PROMOÇÕES
REDES SOCIAIS
© 2014. Sistema Solar. Todos os Direitos são reservados - Política de Privacidade | Livro de Reclamações Digital
design bin?rio