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BALKIS (A LENDA NUM CAFÉ)
LITERATURAVOLTAR ATRÁS
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14.00€
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Sistema Solar
SINOPSE

Balkis, a nascida do fogo, como os muçulmanos lhe chamam…

Rainha de Sabá, como aparece na tradição cristã.

 

Salomão reinou durante quarenta anos. E já entrava, dizem-nos contas por alto, na sua idade madura quando foi visitado por Balkis, a rainha de Sabá.

Com esta rainha, a nebulosa histórica ainda mais espessa se mostra. Temos, para este encontro, palavras da Bíblia e do Corão que chegam para ignorarmos se o reino de Sabá está hoje ocupado pelo Iémen ou pela Etiópia; para nos surpreendermos com a dilatada cultura de uma mulher, numa época em que o sexo feminino era arredado de um saber considerado exclusiva aquisição dos homens.

Balkis deslocou-se a Jerusalém, seguida por um pomposo séquito e camelos vergados com o peso de ofertas ao poderoso rei. Ia fazer de Esfinge; tentaria embaraçar a destreza de Salomão com enigmas que escapassem às malhas da sua cultura. E a mesquinhez deste propósito, posta ao lado do esforço e do incómodo que uma tal viagem exigiria, pode surpreender-nos se não lhe acrescentarmos outras intenções que a tradição de textos orientais lhe atribuem.

A Bíblia e o Corão divergem nos pormenores da sua visita. A verdade histórica (se alguma existir neste episódio) prefere admitir que Balkis, seduzida pela fama da inteligência e da cultura de Salomão, se deslocou a Jerusalém com o propósito de dar um pai com grandes qualidades genéticas a um filho seu, futuro rei de Sabá. E poderia haver nesta estratégia de acasalamento outras motivações. O rei de Israel descendia de Adão e Eva, feitos a partir do barro pelo Eloin Jeová, a raça que mais poder tinha naquela extensão da terra. E Balkis pertencia a uma outra humanidade nascida do fogo, mais nobre neste elemento básico do corpo mas menos bem sucedida no poder terreno. A conjunção destas duas origens garantiria um mestiço com qualidades humanas ímpares e capazes de garantir uma inegável supremacia ao reino de Sabá.

Gérard de Nerval, num dos seus momentos literários de ficção em prosa mais logrados, não permite nenhum êxito a esta heteróclita fusão genética; pede ajuda à imaginação livre dos contadores orientais de histórias para construir uma narrativa que concentra no discurso elementos de grande parte das tradições, sagradas e profanas, ligadas a este episódio.

[Aníbal Fernandes]

Tradução: Aníbal Fernandes
Data:
Outubro de 2019
Acabamento:
Brochado com badanas
Formato:
14,5 x 20,5 cm
Páginas:
168
EAN:
9789898833419

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